FernandoTanajura
Menezes, poeta, escritor, administrador de empresas.
Livros publicados - Poesia: Retratos (1990), Coisas do Coração
(1993),
Cântico das Rosas (1997), Dos beijos (1999), Muita Poesia Brasileira
-
Cadernos das Poesias que estão on line em Blocos (1999)
Peças montadas: A Vaca (1982), O Macaco Astronauta (1998)
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Veja trabalhos de Fernando Tanajura Menezes em:
http://amlweb.com/amlnews/fmenezes
Email:FMenezes@aol.com
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NOMES
E SOBRENOMES
Um dia desses eu tentava passar um fax para um dos
nossos jornais da área da Nova Inglaterra (USA) e não estava tendo
sucesso, resolvi telefonar para a redação do jornal e perguntar se
havia algum problema com a linha do fax. Quem me atendeu tinha uma voz
jovem e muito cortês e, no meio da conversa, pediu para eu me
identificar. De pronto, disse o meu nome. Senti uma coisa no ar. Meu
interlocutor ficou atônito e me disse que era impossível
eu ter um nome desse e foi logo perguntando se eu era japonês. Eu lhe
afirmei que não. Disse-lhe, orgulhosamente, que eu era brasileiro da
melhor estirpe, bem misturado como manda a receita da terrinha:
português com negro com espanhol e com índio. Expliquei-lhe que o
meu sobrenome materno era de origem indígena, muito comum pros lados
de lá da Bahia. Ele ficou mudo do outro lado, escutando tudo e
enquanto isso o meu fax foi transmitido. Nos despedimos gentilmente.
Não tive tempo de explicar para o meu interlocutor
que o nome que ele pensava que era japonês, como define o velho
Aurélio, vem do tupi "tanayu'ra", designação comum às
fêmeas ou rainha dos insetos himenópteros, da família dos
formicídeos, que perdem as asas após o vôo nupcial, indo formar
novos formigueiros. Elas levam consigo pequenas parcelas de cogumelos
a fim de darem início à nova cultura. É também conhecida como
içá, a formiga mestra. Não sei se ele conhecia esta acepção da
palavra ou simplesmente só conhecia o significado popular que também
o
Aurélio define como "pessoa de nádegas bem desenvolvidas",
que
particularmente não é o meu caso.
Isto me botou pra pensar nos Bezerra, Barata,
Cavalo, Pinto, Camarão, Formiga e Carneiro; nos Pinheiro, Laranjeira,
Carvalho, Parreira, Oliveira e Mangabeira; nos Machado, Monte, Cruz,
Bandeira, Varanda ou Varandas, Matos, Oceano, Pimenta, Lima, Chaves,
Reis, Costa, Nobre e Santos; nos Lisboa, Bahia, Brasil, França,
Holanda e outros tantos sobrenomes que são passados de pais para
filhos, de avós para netos e bisnetos, características
e identidade de uma família que é a sua marca registrada e que,
felizmente, por lei não se pode mudar.
Em qualquer lugar do mundo, o sobrenome, os pais, o
sexo, o país onde se nasce e os padrinhos de batismo não são
escolha do indivíduo e, por lei, não se pode mudar, exceto, no caso
de sobrenome, para a mulher por ocasião do casamento ou divórcio, e,
em raríssimas exceções, no caso de mudança de sexo. Já o nome,
prenome ou antenome, se ele for exótico ou ridículo, se causar
constrangimento ou for causa de problemas por homonímia, as leis são
mais flexíveis.
O anedotário está cheio de nomes exóticos por
loucura e ignorância dos pais ou, simplesmente, pela combinação dos
nomes dos genitores. Para citar alguns casos, temos os clássicos Um
Dois Três de Oliveira Quatro; Jesus Cai da Cruz; quatro irmãos
chamados Prólogo, Abertura, Epílogo e Errata; duas irmãs chamadas
Vicentina e Vilatrina. Temos nomes como Hiena, Analise (de análise),
London, Leide Laura (de Lady Laura, conhecida canção de Roberto
Carlos), Merijane (de Mary Jane), Novalgina, Coramina, Cherlock,
Dinálio (filho de Dina e Virgílio), os irmãos Helenocrates e
Socrelena (filhos de Sócrates com Helena), Prodamor Conjugal de
Marimel (produto do amor do casamento de Mário e Amélia), Alcione
(filha de Alcides com Ivone),
Catacisco e Ciscorina (filhos de Catarina com Francisco), Ordep (Pedro
ao contrário) e outros tantos nomes esdrúxulos.
Para terminar, conto uma história dos idos 50 de
um homem chamado Getúlio Diarréia. Conta-se que o cidadão era alvo
de troças constantes e resolveu apelar para o Presidente da
República a fim de poder mudar de nome.
O então presidente Getúlio Vargas, assim que ouviu o seu nome
completo concordou plenamente com o apelo e prometeu abrir uma
excessão, permitindo ao indivíduo que ele trocasse de nome. Em
seguida lhe perguntou como gostaria de se chamar.
- Qualquer outro nome, senhor presidente. Podem me
chamar de Pedro, José, ou Manoel Diarréia, o que eu não suporto
mais é esse nome Getúlio.