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empório de escritores |
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José Wladimir Klein (Bruder Klein)
Segue texto
Ser religioso é pretender contribuir para o aperfeiçoamento
de um sistema que comprovadamente doe paz, amor, tranqüilidade e bem
estar ao homem.
Será que esse sistema religioso já foi concretizado em nossos
dias?
Mesmo que tenhamos certeza de que ainda não existe um sistema
religioso compatível com as necessidades do homem, é temeroso nos
referirmos a isso porque poderíamos ser taxados de hereges, e mesmo
que não estejamos mais nos tempos da Inquisição, poderíamos ser
isolados de tal forma que não teríamos mais condições de
sobreviver.
Mas é necessário que se explane o assunto para acordar da
letargia quantos se acomodaram em um sistema tendo-o como perfeito,
cegando o seu raciocínio para não enxergar as falhas ali existentes.
Na maioria das vezes essas falhas não são vistas porque interessa a
alguém encobri-las para que assim possa usufruir dos benefícios da
ignorância da maioria dos adeptos.
Iniciei dizendo que um sistema religioso eficiente seria aquele
que desse (e não vendesse) elementos formadores de uma boa qualidade
de vida; mais que isso, que
trabalhasse para que os seus adeptos fossem orientados
"politicamente" (por que não?) para estarem aptos a
exercerem plenamente a cidadania , para assim influírem na formação
político administrativa do Estado.
É claro que reconhecemos que a pura e simples transformação
das estruturas não resolverá os problemas da humanidade; o que
resolverá será a transformação do homem. O que temos feito,
entretanto é transformar o íntimo das pessoas mais simples que assim
colocam-se em uma maior passividade para serem exploradas pelo grande
contingente que acredita mais em acumular riquezas que nunca terá
oportunidade de gastar. Estes estariam desempenhando, mesmo, o papel
de vilões que lhes é próprio, mas existe outro tipo de sangria da
economia do povo que é gerada por
grupos formadores de grandes organizações religiosas que em seus
escaninhos usufruem de mordomias pessoais, através de financiamento
de viagens ao exterior e outros quesitos.
Sempre me posicionei como crítico da organização católica,
embora tenha sido orientado em seu seio por algum tempo, em minha
infância e adolescência. Achava que os padres, que demandam um longo
período estudando para cumprirem a sua função, são donos de uma
formação acadêmica que os qualifica como ótimos professores e
portanto habilitados a ganharem a vida sem viverem da religião. Esse
é o problema, entendo que ninguém deveria viver da religião. Cada
adepto de uma religião deverá ser, e de fato é, um servidor. Cada
um deverá ter uma profissão e ganhar o seu sustento e o de sua
família no desempenho dessa profissão. E, exercer os atos
religiosos, como todos o fazem, exclusivamente por respeito a sua
crença.
O que assistimos não é isso; grupos formam-se e constituem-se
em organizações onde
alguns vivem regaladamente das contribuições dos seus irmãos, que
muitas vezes fazem as suas contribuições em prejuízo das
necessidades de suas famílias.
Acho justa a contribuição do dízimo nas igrejas mas, tiradas
as despesas essências de manutenção dos locais de culto, o restante
se aplicasse na assistência social dos próprios domésticos da fé,
primeiramente, minorando as suas necessidades, e, posteriormente, a
outras pessoas carentes.
No caso de ser imprescindível a permanência de um líder
religioso, como no caso de missões, onde o enviado fica fora de
locais que possam proporcionar-lhe o sustento, este poderia receber o
necessário para as suas necessidades. Em qualquer caso, nunca o
salário do obreiro deveria ultrapassar a média do salário da
comunidade. O ofício religioso é de fato um lugar de sacrifício que
é exigido daqueles que de fato possuem vocação e não de pessoas
que as possam escolher como uma profissão.
As organizações religiosas estruturam-se em dois ramos que
são o espiritual e o organizacional.
No primeiro que tem o dever de ministrar ( e ministrar
significa servir) aos membros os ensinamentos das doutrinas que regem
a conduta dos adeptos, deverão estar engajados todos os irmãos,
doando, alem de parte de seus bens, para a manutenção da obra, para
assistência aos necessitados.
No segundo, que é a parte organizacional deverá ser dirigido
como se fosse (e de fato é) uma entidade que tem o dever de
equilibrar Receitas e Despesas de maneira racional para que seja
alcançado o objetivo da entidade. Nesse sentido deverá ser elaborada
uma previsão orçamentaria para que os gastos sejam efetuados e
controlados por todos os participantes da comunidade.
Os adeptos em geral tem o direito de receber instrução sobre
as doutrinas para que estejam bem certos dos procedimentos exigidos de
cada participante no campo espiritual. Terminado o aprendizado, quando
dominar os conhecimentos, deverá engajar-se no ensino e
esclarecimento dos irmãos menos favorecidos, como angariar novos
adeptos para o grupo. Haverá, assim, uma divisão das tarefas por
todos os participantes não sobrecarregando ninguém e não existindo
a necessidade de manutenção de "funcionários" pagos.
Os adeptos em geral tem o dever e a obrigação de acompanhar e
fiscalizar todos os atos da administração, cuidando para que a
receita seja aplicada em benefício da obra e da comunidade. Assim,
com a entrega do dízimo não encerra-se o dever de estar
sempre cuidando para que o orçamento seja cumprido em benefício da
obra, exercendo a fiscalização de tudo que for aplicado em cada item
de despesa.
No orçamento que deverá ser aprovado em cada início de
exercício deverá ser reservado, no mínimo, 10% de toda a
arrecadação, que será destinado à ampliação do trabalho,
através de pontos de pregação, congregações e novas igrejas, que
por sua vez deverão seguir as mesmas diretrizes.
Condenam-se, portanto, o profissionalismo dentro das
religiões, para que possam ser encaminhadas com seriedade, engajando
apenas aquelas pessoas realmente transformadas que comporão um
exercito a serviço do Criador.
Quando expomos esses fatos, evidentemente estamos tratando
unicamente de religiões advindas do cristianismo que herdaram os
ensinamentos dos profetas e adotaram a Jesus Cristo como Senhor e
Salvador de suas vidas. É dentro do cristianismo que deverá haver
uma transformação das estruturas ao mesmo tempo em que as pessoas
transformem-se.
Se trabalharmos nesse sentido, transformando os homens, depois
de nos reformarmos a nós mesmo e as nossas organizações religiosas,
com certeza Deus poderá nos estar usando para que o mundo possa ser
transformado para melhor.
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