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NATHAN DE CASTRO FERREIRA JÚNIOR

 

 

 

Sou mineiro de Olhos D´água, resido atualmente em Divinópolis-MG-. 46 anos, bancário há 25 e metido à poeta nos fins de semana.

 

Um abraço,

 

Nathan Jr .

 

Pé de Vento

 

A noite é pequena para tanta estrela

e na penumbra, não consigo vê-la.

O maestro sangra a sua batuta e

a música emula com a escuridão.

 

Tanta solidão parece o infinito,

tortura, um grito, quem sabe, a sorte.

Angústia, medo, talvez a morte

 

como querendo um pé de vento

ou água gelada como alimento;

pra consumar seu torpe intento e

desencadear um novo elemento

 

com rugas na face, sem fantasia

que dorme de dia e vive de noite

cantando a vida em sua poesia,

varrendo a poeira do pensamento.

 

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Caramujo

 

A vida passa

meio que sem graça,

como querendo ao vivo

Exterminar-me

e sinto no peito

uma dor infinita,

uma vontade aflita

de recomeçar.

 

Mas nada acontece,

o espelho envelhece

e meio sem jeito,

tenho a confessar:

Nada fiz na vida,

a não ser trincheiras,

castelos de areia. . .E

conchas para o mar.

 

As conchas sabem os segredos dos ventos e

sabem também, os segredos das ondas do mar! . . .

Resta-me, desvendá-los.

 

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Ossos da cidade morta

 

Numa noite sem clavícula,

a cidade sem mandíbula

equilibra-se nas vértebras

como se fosse a capital.

 

Central da fome, da miséria,

das costelas à mostra

maxilares famintos de artérias

sedentos de sangue Aorta.

 

Nas calçadas, praças e sarjetas,

debaixo de enormes viadutos

iluminados por letras em néon

que maquiam o caos absoluto.

 

Fêmur, Tíbia, Fíbula, Úmero,

embrulhados em papéis do lixo.

__São tristes os ossos sem ofício

dos mendigos da cidade morta.