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A MALDIÇÃO DE WALLEK
22 de fevereiro de 1855
começa minha viagem à
Roma ... Foi numa noite fria de inverno que ouvi na escuridão das
trevas noturnas um grito estridente de pavor. Sentindo o temor invadir–me
a alma, voltei para meu recinto deitando-me e adormecendo aos poucos,
ainda com um medo que me
consumia lentamente...
Aos primeiros vestígios da manhã seguinte, manhã nublada,
coloquei-me a caminhar por sobre as folhas do jardim, saindo daquele
antigo castelo em que me encontrava,
enquanto aquele grito ainda ecoava em minha mente.
Caminhando, notei que já encontrava-me muito longe do castelo
de Dom Carper -
um primo de grau
distante e meu anfitrião. - Resolvi voltar por cautela e foi então que vi sinais no
chão; parecia que alguém havia se arrastado por ali. Seguindo o
rastro, deparei-me com um lugar onde a terra estava fofa, o que não
era muito comum de se encontrar por ali, visto que as terras daquele
lugar eram firmes como pedras. Então decidi verificar o local... Mas nada encontrei.
Caminhando um pouco mais adiante notei que
havia uma pequena caverna de pedras. Movendo algumas que
trancavam sua entrada vi que estava ali morto, porém ainda
com aparência bem definida um belo homem, pálido como a lua, mas
lindo como um pôr do sol... Deixei-o onde estava e
regressei à cidade, avisando as autoridades locais para que fizessem
a busca do corpo. Ao vê-los voltarem, corri para
tentar conseguir por mais uma vez ter a imagem daquele lindo rosto,
qual se parecia com a face de um anjo. Porém, disseram-me que nada
haviam encontrado. Nada além de algumas pedras remexidas ... Achei um tanto estranho o
ocorrido e parti rumo àquela pequena caverna, porém quando lá
cheguei já não havia nada. Passado o meio-dia, ainda
perturbada que estava, fui conhecer a biblioteca daquele lugarejo...
chegando lá interessaram-me os livros que contavam as lendas da
cidade, e entretida com a leitura que me
muito aprazia, faltou-me ar com o impacto assustador que tive
ao folhear o último livro escolhido,
lá estava a imagem mais bela que meus olhos já haviam
visto. Era a face do mesmo homem que eu tinha encontrado
naquela manhã. Para o meu espanto maior a
lenda contava que aquele lindo homem, há mil anos atrás, recebera
uma terrível maldição e fora condenado a viver
e passar através dos séculos alimentando-se somente de sua
própria espécie, descansando apenas no dia em que sua maldição
fosse quebrada. E há mil anos aquele amaldiçoado vinha perseguindo e
caçando os seres de sua própria espécie para poder alimentar-se de
seu sangue quente e novo... Saí dali atormentada com
tudo aquilo. Chegando no castelo falei da visitinha que fizera
à biblioteca e da interessante que tive ao meu primo Don Carper . Ele
desconversou, riu ironicamente e saiu com ar de mistério. “Ele simplesmente não acreditou
em mim” – pensei comigo. Mas não era nada daquilo... Frustrada, alimentei-me e fui descansar daquele
dia cheio. Tentava dormir, mas o assunto não me saia à mente. Então
desci as escadas a fim de caminhar, era uma noite linda e fria... Sozinha com meus pensamentos aquele rosto me
voltava à memória... Como eu desejava reencontrá-lo...
Teria apaixonado-me então por uma lenda? Não. Não poderia
ser apenas uma lenda pois eu o tinha visto. Caminhei para além das muralhas do castelo. Nas
redondezas nada havia além de belos campos e muitas árvores com
pedras grandes gerando sombras imensas sob a etérea luminescência da
lua. Sendo assim, recostei-me em um tronco de árvore e deixei minha
mente vagar rumo a um lindo ser... Foi quando, de repente, num vulto negro
apareceu-me o homem que de minha mente não saía, e estava belo como
sempre. Queria perguntar-lhe de onde viera, mas palavra
alguma fluía de minha boca. Ele, num reflexo, dirigiu seus lábios em
direção a meu pescoço mas num impulso rápido parou. Fitou-me
dentro dos olhos e com olhar confuso desapareceu na névoa.Voltei para
o castelo e adormeci... No dia seguinte tudo me pareceu ter sido somente
um sonho, porém quando olhei-me no espelho constatei que não fora
somente sonho. Meu pescoço estava um tanto marcado, tratei de
esconder o pequeno ferimento e saí apressada a fim de saber mais
sobre a tal lenda.
Passaram-se quinze dias e nada mais aconteceu. Havia me dado
por derrotada até que, em um passeio matinal, encontrei um padre que
se pôs a conversar comigo. Soube então que vivia em uma pequena
igrejinha perto dali - padre Simon - ele deveria ter em torno de uns
noventa anos. Contou–me então a história de um jovem que, nascido
do ventre de uma bruxa, fora condenado com uma maldição -
Descreveu-me a estória tal qual o livro de lendas da biblioteca e
disse que muita gente fora morta por aquele maldito ser. -
Perguntei-lhe se havia um modo de quebrar-se a maldição, e o padre
respondeu-me com uma metáfora: do modo que fora condenado deveria ser
libertado. Vasculhei os antigos documentos da catedral e
pesquisando descobri seu nome. Chamava-se Wallek. Ali dizia que ele
havia sofrido um ritual de maldição com a cruz de Persiê, uma cruz
medieval que teria sido escondida pelos bispos que completaram o rito,
para que ninguém o pudesse libertar... Já no castelo, perguntei a Don Carper sobre a
cruz. Novamente falou-me com ar de riso, dizendo que talvez estivesse
escondida próximo do castelo por ser um lugar distante. Sorriu e me
disse para esquecer a história.
Naquela noite
surgiu em minha janela, wallek, com seu rosto pálido e sua beleza
infinita... mesmo tomada pelo medo, levantei e fui para a janela,
fiquei tão perto dele que consegui sentir seu hálito. Com leve
movimento toquei seu rosto, era frio. As suas mãos cálidas
deslizaram suavemente em meus cabelos e logo após, com três passos
para trás, se foi, dizendo adeus apenas com o olhar. Na manhã seguinte encontrei a igrejinha, mas nenhum
sinal do padre Simon. Me ocorreu que talvez tivesse ido embora.
Vasculhei dias e dias ao redor do castelo por cada lugar em que
achasse que a cruz pudesse estar, mas nada encontrei. Desistindo da busca, em uma bela manhã estava no
castelo admirando cada detalhe daquela decoração medieval quando
lendo os títulos de cada livro da infinita biblioteca de meu primo um
me chamou a atenção por seu titulo escrito à mão, RITUAL, mas o
deixei para trás e ao passar para outro cômodo abri uma porta que
havia no meio do corredor a qual dava acesso a um porão, desci as
escadas até chegar a uma cripta.
Ali estavam vários livros
e uma cruz , era uma cruz negra com um ônix no centro. No momento em que refletia sobre o meu precioso
achado ouvi um barulho. Era meu primo e mais três senhores.
Escondi-me e, escutando sua conversa, descobri que meu primo guardava
a cruz para que ninguém soubesse de seu paradeiro. Quando os quatro decidiram ir embora, vasculhei
um pouco mais o local e saí. Pouco tempo depois meu primo, que quase
nunca saía do castelo, Resolveu ir até a cidade. Aproveitei sua
saída e invadi seus aposentos. Procurava qualquer coisa que pudesse
dizer-me algo. Em sua escrivaninha havia um pergaminho lacrado com
cera, levei-o comigo e à noite abri-o e o li. Lá escrito estava como havia sido feito
todo o ritual com wallek. Então com aquilo eu poderia liberta-lo e, por fim,
deixa-lo descasar em paz. Confesso
que me veio um pouco de tristeza porque sabia que não mais iria
vê-lo, porém o desejo de saber que wallek descansaria em paz
amenizava minha tristeza. Levei a cruz para a pequena caverna
na qual repousava Wallek. Mas mesmo com a cruz em meu poder, estaria
inutilizada em minhas mãos se não houvesse um padre para realizar o
ritual. Na volta, encontro o padre Simon, caminhando em minha
direção, levei-o comigo para o castelo contando-lhe toda a
história... Mais
tarde, já ao cair da noite, dirigimo-nos à caverna preparando-nos
para o ritual, Wallek acorda de seu sono profundo,então prontos para
começar o rito para quebrar sua maldição adentra á caverna meu
primo Don Carper e mais três senhores, aqueles que eu tinha visto em
sua companhia na mesma manhã, Don Carper empunhando sua arma acerta-me um tiro no ombro e
mata o padre conseguindo com isto manter a maldição de wallek ,
retirando-me da caverna os três senhores, levaram-me para o castelo,
fizeram a assepsia e curativo no local e deram-me para beber um
líquido que pensei ser um sedativo, então adormeci profundamente. Deste
sono profundo do qual nunca mais pude acordar, consegui rever Wallek
antes de partir para o lugar onde os homens não tem o poder de
demônios e a própria morte é uma ilusão ....
RUBIA PIMENTEL AMMACHADO@ONDA
.COM.BR
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