Nosso Amor Comum
Nossos chinelos do lado de fora, sujos de barro
Os guardanapos com nossas impressões, amarrotados sobre a mesa
O contorno dos nossos corpos no lençol da cama
Os casacos pendurados atrás da porta,
Marcas cotidianas de um amor simples, trivial, doméstico
- Mas que nos preenche os dias que se sucedem -
Que vemos adormecendo e despertando conosco.
É um amor que divide o capacho da entrada
Vê as mesmas sombras passarem pelo corredor,
Num entra-e-sai de casa antiga,
De gente que se vê e se revê a todas as horas
De um lar de dois,
De um par de escovas de dente guardadas num mesmo copo.
A pia em que nos lavamos é comum
É comum o sofá,
O jardim atravessado diariamente
E o jarro que nos mata a sede, durante as noites
No nosso quarto de paredes que vêem um amor que se sustenta dia a
dia.
Este amor comum, que nos basta,
Que se encontra nos óculos de leitura em cima do criado-mudo
- Quais são os meus? -
Nas gavetas de roupas misturadas
Na manta compartilhada quando está frio
No cesto de frutas da sala de jantar
Onde se fazem as refeições, todos os dias
Nesta rotina retomada a cada manhã.
De duas pessoas como quaisquer outras
Mas que, simplesmente, se amam.
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