1. Introdução
Nos capítulos anteriores, foram
estudados os fatores evolutivos que promovem a variabilidade genética e os que atuam
sobre a variabilidade já estabelecida .Foi visto. Também que se pode considerar natural
atuando sobre a variabilidade genética. Assim populações de uma mesma espécie podem
desenvolver características novas em função de alterações na relação organismo
ambiente . Neste capítulo , discutiremos como a interação de todos esses fatores
pode originar espécies novas.

2. A origem das espécies.
Mecanismos de especiação são
aqueles que determinam a formação de espécies novas. O mecanismo de especiação mais
conhecido é o da especiação geográfica.
Este mecanismo pode de ser simplificadamente explicado, tomando-se como
exemplo uma população com conjunto gênico grande, que vive em determinada área
geográfica em um dado momento .
Suponhamos que o ambiente onde essa população ocorre sofra
alterações bruscas, tais como modificações climáticas ou eventos geológicos
(terremotos , formações de montanhas etc.). Essas alterações podem determinar o
surgimento de faixas de território em que a existência dos indivíduos da população
torna-se impossível. Quando essas faixas desfavoráveis separam áreas que ainda reúnem
condições favoráveis à sobrevivência dos indivíduos que formavam a população
inicial elas são denominadas barreiras ecológicas ou barreiras
geográficas .
As barreiras ecológicas impedem a troca de genes entre os indivíduos
das populações por elas separadas, fazendo com que variabilidades genéticas novas
surgidas em uma população , não sejam transmitidas para outra. Além disso , as
condições do ambiente , nas áreas separadas pela barreira, dificilmente são exatamente
as mesmas , o que determina diferente pressões seletivas. Então as populações assim
separadas vão acumulando ao longo do tempo, podendo chegar a desenvolver mecanismos de
isolamento reprodutivo. Quando isto ocorre , considera-se que essas populações pertencem
a espécies distintas.
As espécies são portanto, como já vimos,
populações de indivíduos potencialmente intercruzantes e reprodutivamente isolados de
outras populações.


3. Os mecanismos de isolamento
reprodutivo.
O desenvolvimento de mecanismos que
determinam o isolamento reprodutivo é fundamental para a origem das espécies.
Populações reprodutivamente isoladas de outras passarão a Ter história evolutiva
própria e independente de outras populações . Não havendo troca de genes com
populações de outras espécies , todos os fatores evolutivos que atuam sobre
populações de uma espécie terão uma resposta própria . Dessa forma, o isolamento
reprodutivo explica não a penas a origem das espécies , nas também a enorme diversidade
do mundo biológico.
É importante esclarecer que os mecanismos de isolamento reprodutivo
não se referem apenas á esterilidade , pois isolamento reprodutivo
não é sinônimo de esterilidade. Duas espécies podem estar reprodutivamente
isoladas devido a fatores etológicos ou ecológicos que impendem o fluxo gênico, e não
devido á esterilidade.
Um exemplo pode ser dado por duas espécies de patos de água doce, Anas
platyrhinchos e Anas acuta, as quais , apesar de nidificarem lado a lado , não
trocam genes , pois respondem a estímulos sensoriais diferentes . A cópulas entre machos
e fêmeas de uma espécie é desencadeada por certos estímulos sensoriais que não têm
efeito sobre machos e fêmeas da outra espécie . Com isso , é muito raro haver cópula
entre indivíduos das duas espécies.No entanto , se essas duas espécies forem criadas em
cativeiro, elas poderão se reproduzir, originando descendentes férteis .Neste caso, não
é a esterilidade o fator de isolamento reprodutivo e sim o fator
etológico (compartamental).
Os mecanismos de isoloamento
reprodutivo podem ser classificados do seguinte modo:
 | Os mecanismos pré-copulatórios :
impedem a cópula.
Isolamento
estacional : diferenças nas épocas reprodutivas.
Isolamento de
hábitat ou ecológico: ocupação diferencial de hábitats.
Isolamento
etológico: o termo etológico refere-se a padrões de
comportamento. Para os animais, este é o principal mecanismo pré-copulatório. Neste
grupo estão incluídos os mecanismos de isolamento devidos à incompatibilidade de
comportamento baseado na produção e recepção de estímulos que levam machos e fêmeas
à cópula. Esses estímulos são específicos para cada espécie. Dois exemplos desse
tipo de incompatibilidade comportamental levando ao isolamento reprodutivo são os sinais
luminosos, emitidos por vaga-lumes machos, que apresentam variação dependendo da
espécie. Eses sinais variam na freqüência, na duração da emisão e na cor (desde
braco, azulado, esverdeado, amarelo, laranja até vermelho). A fêmea só responde ao
sinal emitido pelo macho de sua própria espécie. O outro exemplo é o canto das aves: as
fêmeas são atraídas para o território dos machos de sua espécie em função do canto,
que é específico.
Isolamento
mecânico: diferenças nos órgãos reprodutores, impedindo a cópula.
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 | Mecanismos pós-copulatórios: Mesmo
que a cópula ocorra, estes mecanismos impedem ou reduzem seu sucesso.
Mortalidade
gamética: fenômenos fisiológicos que impedem a sobrevivência de gametas
masculinos de uma espécie no sistema reprodutor feminino de outra espécie.
Mortalidade do
zigoto: se ocorrer a fecundação entre gametas de espécies diferentes, o zogoto
poderá ser pouco viável, morrendo devido ao desenvolvimento embrionário irregular.
Inviabilidade do
híbrido : indivíduos resultantes do cruzamento entre indivíduos de duas
espécies são chamados híbridos interespecíficos. Embora possam ser férteis, são
inviáveis devido à menor eficiência para a reprodução.
Esterilidade do
híbrido : a esterilidade do híbrido pode ocorrer devido à presença de
gônadas anormais ou a problemas de meiose anômala.
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