1. Introdução
A teoria sintética da
evolução apóia-se na análise dos seguintes fatores evolutivos: mutação
, recombinação, seleção natural, migração e oscilação genética.

2. Mutação gênica
As mutações gênicas
originam-se de alterações na seqüência de bases nitrogenadas de um
determinado gene, durante a duplicação da molécula de DNA. Essa alteração
pode ser devida a perda, adição ou substituição
nucleotídeos , originando um gene capaz de codificar
outra proteína.
As mutações gênicas são consideradas as fontes primárias da
variabilidade, pois aumentam o número de alelos disponíveis em um locus,
condição que incrementa o conjunto gênico da população .
Embora ocorram espontaneamente , podem , no entanto ser provocadas por
agentes mutagênicos , como radiações e certas substâncias químicas (
LSD, por exemplo).
As mutações ocorrem ao acaso, de modo que não é possível
prever o gene a ser mutado nem relacionar a existência de mutação com a
adaptabilidade às condições ambientais. As mutações não
ocorrem para adaptar o indivíduo ao ambiente ; elas ocorrem ao
acaso e, por seleção natural, São mantidas quando são adaptativas (
seleção positiva ) ou eliminadas no caso contrário ( seleção negativa).
As mutações podem ocorrer em células somáticas ou em células
germinativas sendo, neste último caso, de fundamental importância para a
evolução , pois são transmitidas aos descendentes.

3. Recobinação genética.
Enquanto a mutação gênica é a
fonte primária da variação genética, pois através dela é que são
formados genes "novos" , a recombinação é um mecanismo que reorganiza
os genes já existentes nos cromossomos.
O mecanismo primário de recombinação genética é a
reprodução sexuada, que se realiza em duas fases consecutivas:
Populações de indivíduos que
apresentam fecundação cruzada têm maiores possibilidades de aumentar a
variabilidade genética sem adição de genes novos ( por
mutação , por exemplo) do que populações de indivíduos com autofecundação.
A variabilidade genética é importantes pra a sobrevivência da
espécie. Nesse sentido , até bissexuados desenvolveram , ao longo
de sua evolução , vários mecanismos que dificultam a
autofecundação e favorecem a fecundação cruzada , possibilitando desse
modo , aumento na variabilidade > Através da recombinação genética uma população
pode aumentar sua variabilidade genética sem adição de genes novos, produzindo por
mutação ou por imigração de indivíduos de outras populações.

4. Seleção natural
A seleção natural é o principal
fator evolutivo que atua sobre a variabilidade genética da população. Pode-se dizer ,
simplificadamente, que a evolução é o resultado da atuação da seleção natural sobre
a variabilidade genética de uma população.
A ação da seleção natural consiste em selecionar genótipos mais
bem adaptados a uma determinada condição ecológica, eliminando aqueles
desvantajosos para essa mesma condição.
A expressão mais bem adaptado refere-se à maior
probabilidade de, em um determinado ambiente, um determinado indivíduo deixar
descendentes. Os indivíduos mais bem adaptados a um ambiente têm chance maior de
sobreviver e de deixar descendentes.
A seleção natural tende, portanto, a diminuir a variabilidade
genética. Desse modo, quanto mais intensa for a seleção natural sobre uma determinada
população, menor será a sua variabilidade, pois apenas alguns genótipos serão
selecionados.

A seleção natural atua
permanentemente sobre todas as populações . Mesmo em ambientes estáveis e constantes, a
seleção natural, que age de modo estabilizador, está presente,
eliminando os fenótipos desviantes.
Vamos discutir agora alguns exemplos em que se verifica a ocorrência
de seleção.

4.1 Melanismo industrial
O Melanismo industrial
é um fenômeno observado em regiões altamente industrializadas. É caracterizado pelo
aumento da freqüência gênica de indivíduos com coloração escura; por isso o termo
Melanismo. Um exemplo clássico de melanismo industrial é o da mariposa Biston
betularia, em regiões industrializadas da Inglaterra.
Antes do incremento da industrialização, a maioria das mariposas
apresentava coloração esbranquiçada, sendo raras as de coloração escura. Os
indivíduos dessa espécie têm o hábito de pousar sobre troncos de árvores que, em
locais não poluídos, são cobertos por liquens, os quais dão ao tronco
coloração clara. Nesses locais, ao pousar sobre os troncos cobertos por liquens, as
mariposas claras não são tão visíveis quanto as mariposas escuras, que se tornam,
assim, presas fáceis de seus predadores- os pássaros.

Com o incremento da
industrialização, a fumaça e a fuligem lançadas pelas fábricas provocam a morte dos
liquens, deixando os troncos das árvores expostos. Dessa forma, o substrato utilizado
pelas mariposas para pouso adquiriu coloração escura e, com isso, as mariposas claras
tornaram-se mais visíveis que as escuras. Com o tempo, a forma escura começou a
predominar sobre a clara, devido à atuação de seleção natural.

Como pode ser observado nesse
exemplo, a alteração gradativa de uma condição ambiental determinou alteração na
freqüência gênica de uma população em um determinado sentido, como resposta à
seleção natural.

4.2. Resistência a antibióticos ou a
inseticidas
A resistência de bactérias a
antibióticos e de insetos a inseticidas tem aumentado muito nos últimos anos, havendo
sempre a necessidade de se desenvolverem novos antibióticos e novos inseticidas.
A resistência a esses produtos ocorre do seguinte modo: os indivíduos
estão adaptados a uma determinada condição ambiental; se introduzirmos no meio uma
certa quantidade de determinado antibiótico ou de inseticida, haverá grande mortalidade
de indivíduos, mas alguns poucos, que já apresentavam mutações que lhes conferiam
resistência a essas substâncias, sobreviverão. Estes, por sua vez, ao se reproduzir,
originarão indivíduos com características que se distribuem em torno de um outro tipo
médio.
Se estes indivíduos forem submetidos a doses mais altas das
substâncias em questão, novamente haverá alta mortalidade e sobreviverão apenas
aqueles que já tiverem condições genéticas de resistir a doses mais altas de droga,
podendo-se observar um deslocamento da média dascaracterísticas no sentido da maior
resistência a uma determinada substância.

4.3 Anemia falciforme ou siclemia
A Anemia falciforme
ou siclemia é uma anomalia que ocorre na espécie humana, determinada
por um gene letal em dose dupla. Esse gene condiciona a formação de moléculas anormais
de hemoglobina. Essas hemoglobinas "anormais" têm pouca capacidade de
transporte de oxigênio e, devido a isso, as hemácias que as contêm adquirem o formato
de foice quando a concentração de oxigênio diminui. Por essa razão são chamadas
hemácias falciformes.

Entre o gene para siclemia e o seu
alelo que determina a síntese de hemoglobinas normais, não há relação de dominância.
Os indivíduos heterozigotos apresentam tanto hemácias e hemoglobinas
normais como hemácias falciformes : apesar de ligeiramente anêmicos, sobrevivem, embora
com menor viabilidade em relação aos homozigotos normais.
Em condições ambientais normais, o gene para anemia falciforme sofre
forte efeito seletivo negativo, ocorrendo com freqüência baixa nas populações.
Observaram-se, entretanto, altas freqüências desse gene em extensas regiões da África,
onde há grande incidência de malária.
Essa alta freqüência deve-se ao fato de que os heterozigotos para
anemia falciforme são mais resistentes à malária. Os "homozigotos normais"
correm alto risco de morte por malária e os "homozigotos para a anomalia"
morrem de anemia. O heterozigoto, entretanto, apresenta, sob essas condições ambientais,
superioridade adaptativa, propiciando a alta taxa de um gene letal na população.

5. Migração
Migração
corresponde à entrada ou saída de indivíduos denomina-se imigração e
a saída, emigração.
Através dos processos imigratórios, há possibilidade de serem
introduzidos genes novos em uma população. Assim, se indivíduos emigrarem de uma
população para a outra da mesma espécie, poderão introduzir ali genes novos e
contribuir para o aumento da variabilidade genotípica da população para a qual
imigraram.
Através das migrações é estabelecido um fluxo gênico, que tende a
diminuir as diferenças genéticas entre as populações de uma mesma espécie.

6. Oscilação genética ou deriva
genética
Este processo ocorre apenas em
populações pequenas. Nestas, qualquer alteração ao acaso pode
produzir alterações na freqüência genotípica, o que não ocorre em populações
grandes. Assim, os desvios estatísticos adquirem importância especial quando se
verificam em populações pequenas, pois podem até mesmo eliminar determinados
genótipos.
Um caso particular de oscilação genética é o princípio do
fundador, que se refere ao estabelecimento de uma nova população a partir de
poucos indivíduos que emigram da população original. Esse indivíduos serão portadores
de pequena fração da variação genética da população de origem e seus descendentes
apresentarão apenas essa variabilidade, até que genes novos ocorram por mutação. O
princípio do fundador determinar, assim, uniformemente genética e fenotípica. Além
disso, essa pequena população sofrerá os efeitos dos vários fatores evolutivos já
discutidos, podendo originar indivíduos diferentemente adaptados.
O estabelecimento de populações pelo princípio do fundador parece
ser um dos métodos mais comuns de dispersão de inúmeras espécies de animais e de
plantas.