Relações entre os seres

 

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Bibliografia

 

1.    Introdução

 

Os seres vivos de uma comunidade mantêm constantes relações ente si, exercendo, assim, influências recíprocas em suas vidas. As inter-relações podem ser evidenciadas entre indivíduos de uma mesma população, ou seja, entre indivíduos de uma mesma espécie (relações intra-específicas), ou entre indivíduos pertencentes a espécies diferentes (relações interespecíficas). Quando analisadas isoladamente, essas relações podem se revelar harmônicas ou desarmônicas. As relações harmônicas ou interações positivas são aquelas em que não há prejuízo para nenhum dos indivíduos da associação. As relações desarmônicas ou interações negativas são aquelas em que pelo menos um indivíduo da associação sai prejudicado. Considerando, entretanto, o total de todas as relações entre os seres vivos de uma comunidade, verifica-se que, em termos de manutenção do equilíbrio ecológico global, essas relações revelam-se harmônicas.

 

1.1    Relações intra-específicas

 

As relações intra-específicas harmônicas são:

  •  sociedades: união permanente entre indivíduos de uma mesma espécie, em que há divisão de trabalho. Ex.: insetos sociais como as abelhas, cupins e formigas;

  •  colônias: união anatômica entre indivíduos da mesma espécie, formando uma unidade estrutural e funcional. Ex.: corais;

  As relações intra-específicas desarmônicas são:

  •  canibalismo: um indivíduo mata outro da mesma espécie para se alimentar;

  •  competição intra-específica: indivíduos da mesma espécie disputam recursos insuficientes oferecidos pelo ecossistema.

 1.2    Relações interespecíficas

 

As relações interespecíficas harmônicas são: mutualismo, protocooperação, inquilinismo e comensalismo. As desarmônicas são: amensalismo, sinfilia, predatismo, parasitismo e competição interespecífica.

 

 

2.    O termo simbiose

 

O termo simbiose, criado em 1879 por De Bary, designa toda e qualquer associação permanente entre indivíduos de espécies diferentes que, normalmente, exerce influência recíproca no metabolismo.

Assim, podemos considerar três tipos bem definidos de simbiose: o parasitismo, o comensalismo e o mutualismo.

Não é válida, portanto, a utilização do termo simbiose para designar tão somente as relações entre algas e fungos que formam liquens mutualísticos.

Atualmente o termo simbiose tem sido utilizado para qualquer tipo de relação interespecífica.

 

 

3.    Mutualismo

 

O mutualismo é uma relação interespecífica em que os participantes se beneficiam e mantêm relação de dependência. Às vezes, essa relação é extremamente íntima, como acontece com os liquens. Estes representam uma associação de fungos e algas tão dependente funcionalmente e tão integrada morfologicamente que são considerados um outro tipo de organismo. Os liquens são classificados em espécies, muito embora cada espécie de líquen seja formada na realidade por duas espécies diferentes de organismos: uma de algo e outra de fungo.

Dentro do grupo dos liquens existem espécies mais primitivas, em que a relação entre a alga e o fungo é do tipo parasitismo: a hifa do fungo penetra na célula da alga, parasitando-a. Nas espécies mais especializadas de liquens, a relação é do tipo mutualismo: a hifa do fungo não penetra na célula da alga e os dois organismos beneficiam-se mutuamente.

 

 

 

 

4.    Protocooperação

 

Na protocooperação, embora os participantes se beneficiem, eles podem viver de modo independente, sem a necessidade de se unir. No mutualismo, a união é obrigatória e os indivíduos são interdependentes.

Um dos mais conhecidos exemplos de protocooperação é a associação entre a anêmona-do-mar e o paguro, um crustáceo semelhante ao caranguejo, também conhecido como bernado-eremita  ou ermitão. O paguro tem o corpo mole e costuma ocupar o interior de conchas abandonadas de gastrópodes. Sobre a concha, costumam instalar-se uma ou mais anêmonas-do-mar (actínias). Dessa união, surge o benefício mútuo: a anêmona possui células urticantes, que afugentam os predadores; o paguro, ao se deslocar, possibilita à anêmona uma melhor exploração do espaço, em busca de alimento.

 

 

 

 

5.    Inquilinismo e comensalismo

 

O inquilinismo e comensalismo são dois tipos de associação em que apenas um dos participantes se beneficia, sem, no entanto, causar qualquer prejuízo ao outro. A diferença ente esses dois tipos de associação reside no fato de que no comensalismo a aproximação ocorre na busca de alimento, o que não ocorre no inquilinismo. No inquilinismo, a razão da associação é, freqüentemente, proteção. É o caso, por exemplo, do fierasfer, um pequeno peixe que vive dentro do corpo do pepino-do-mar (Holoturia). Para alimentar-se, o fierasfer sai do pepino-do-mar e depois volta.

 

 

 

Nesse caso de inquilinismo, o peixe encontra proteção no corpo do pepino-do-mar, o qual, por sua vez, não recebe benefício nem sofre desvantagem.

Um curioso exemplo de comensalismo é a associação do tubarão com o peixe-piloto. Os peixes-pilotos vivem ao redor do tubarão, alimentando-se dos restos de comida que escapam de sua boca.

 

 

 

 

6.    Amensalismo ou antibiose

 

O amensalismo ou antibiose consiste numa relação desarmônica em que indivíduos de uma população secretam substâncias que inibem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de outras espécies.

É o caso bem conhecido dos antibióticos, que, produzidos por fungos, impedem a multiplicação das bactérias. Esses antibióticos são largamente utilizados pela medicina, no combate às infecções bacterianas. O mais antigo antibiótico que se conhece é a penicilina , substância produzida pelo fungo Penicillium notatum.

Outro caso de amensalismo é conhecido por maré vermelha. Sob determinadas condições ambientais, certas algas marinhas microscópicas, do grupo dos dinoflagelados, produtores de substâncias altamente tóxicas, apresentam intensa proliferação, formando enormes manchas vermelhas no oceano. Por essa razão, a concentração dessas substâncias tóxicas aumenta, provocando grande mortalidade de animais marinhos.

 

 

7.    Sinfilia

 

A sinfilia é um tipo de associação exemplificado na relação existente entre determinadas formigas e os pulgões de plantas. Os pulgões retiram alimentos diretamente dos vasos liberianos da planta. Retiram, portanto, seiva elaborada, rica em matéria orgânica, principalmente carboidratos.

Como conseqüência da digestão dos carboidratos, os pulgões produzem excessiva quantidade de material açucarado, grande parte do qual eliminam com as fezes. Esse material é apreciadíssimo pelas formigas, que, como forma de obter alimento, mantêm pulgões cativos em seu formigueiro, fornecendo-lhes partes vivas de plantas e chegando até mesmo a acariciá-los, no sentido de estimulá-los a eliminar os produtos açucarados de que necessitam.

 

 

 

8.    Predatismo

 

Predatismo é uma relação desarmônica em que um animal captura e mata um indivíduo de outra espécie, para alimentar-se.

Todos os carnívoros são animais predadores. É o que acontece com o leão, o lobo, o tigre, a onça, que caçam veados, zebras e tantos outros animais.

O predador pode atacar e devorar também plantas, como acontece com o gafanhoto, que, em bandos, devora rapidamente toda uma plantação. Nos casos em que a espécie predada é vegetal, costuma-se dar ao predatismo o nome de herbivorismo.

Raros são os casos em que o predador é uma planta. As plantas carnívoras, no entanto, são excelentes exemplos, pois aprisionam e digerem principalmente insetos.

 

 

9.    Parasitismo

 

Parasitismo é uma relação desarmônica entre seres de espécies diferentes, em que um deles, denominado parasita, vive no corpo do outro, denominado hospedeiro, do qual retira alimentos.

Embora os parasitas possam causar a morte dos hospedeiros, de modo geral trazem-lhe apenas prejuízos.

Quanto à localização no corpo do hospedeiro, os parasitas podem ser classificados em ectoparasitas (externos) e endoparasitas (internos).

Os exemplos mais comuns de ectoparasitas são os piolhos, os carrapatos, o cravo da pele, o bicho-de-pé e o bicho da sarna, além de outros. Exemplos de endoparasitas são o plasmódio e o tripanossomo, protozoários causadores, respectivamente, da malária e da doença de Chagas. São exemplos, também, os vírus, causadores de várias doenças, desde a gripe até a febre amarela e a AIDS.